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Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei. Al i 40

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Entrevista ao Poeticus Severus para o Satanic Destruction zine. Por Ítalo Leite

01- Saudações César e Sub Umbra! Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei!

CESAR SEVERUS: ÍTALO, 93! SAUDAÇÕES A TODOS OS APRECIADORES DA ARTE EXTREMA. PRAZER PARTICIPAR DESTA PUBLICAÇÃO, QUE AS RESPOSTAS A SEGUIR POSSAM ESCLARECER A CONTENTO.

SUB UMBRA: Saudações cordiais Ítalo, é um grande prazer poder dividir minhas palavras não só contigo, mas com todos que têm um breve momento em compartilhar-las conosco.

02- O Poeticus Severus é certamente uma das mais reconhecidas bandas do cenário nacional, tanto pela originalidade e brilhantismo da arte que produz, quanto pela fidelidade em se manter dentro do underground, sem uma exposição exagerada e uma conseqüente banalização de seu próprio trabalho. Agora em 2007 o Poeticus completa 10 anos de batalhas e lutas, mantendo a coerência em suas idéias e a lealdade aos princípios que sempre defendeu. Gostaria que vocês comentassem acerca dessa trajetória, os altos e baixos, conquistas, vitórias etc;

S.U.: É muito curioso observar como o Poeticus Severus se entrelaçou nesses 10 anos com o nosso amadurecimento e descoberta de nós mesmos como seres humanos plenos e libertos de dogmas culturais, religiosos, sociais e políticos, para ser breve.
Dentro da minha visão, os anos de 1997 foram um divisor de águas para embarcarmos em um caminho para descobrirmos e nos depararmos com nossa individualidade. Forjamos esse sentimento, pois após alguns anos antes de cena underground, tínhamos o anseio de dar campo fértil a nossa criatividade através de uma forma musicada que incluísse uma linguagem abrangente e exclusiva, envolvendo campos sensoriais simultaneamente, por exemplo.
Apesar de ter lapsos de memória eu afirmo que esses anos que se passaram foram sem dúvida os melhores de nossas vidas, pois vejo que nossa capacidade criativa e empreendedora teve acolhimento e cristalização a cada passo, a cada música, a cada refrão e a cada acorde. Tudo em um regime mais do que democrático que já vi em minha vida, naturalmente implementamos.
Durante os anos que se passaram houveram grandes momentos de catarse e de ansiedade para todos. A nossa primeira grande vitória, resumidamente, senão acabo perdendo o dom da síntese, foi transformar as musicas que Cesar nos apresentou e dá-las plenitude. Foi um processo muito curioso, pois ao nos agruparmos como homens livres e com mesmo objetivo, a naturalidade pela qual as musicas foram ganhando corpo e solidez foi transcendental! Dentro desse ritmo pudemos acompanhar a cada ensaio que uma nova entidade era despertada apenas quando os 4 estavam juntos, ganhava força e sua sutil energia preenchia não só o recinto, mas enfim, fazia parte de nós. Nosso momento mais importante foi quando pudemos ser capazes de definir nosso formato sonoro dentro de estúdio e disso fizemos uma vocação.
Tivemos poucos os baixos como banda, pois nos vimos dentro de um esquema de mudança de mercado, em que não tivemos propostas interessantes para a manutenção da banda e de nossos valores. Talvez tenha sido esse o momento mais complicado, mas posso enumerar, como um bom positivista, grandes momentos inesquecíveis pelo qual passamos e que estes foram sublimes e raros em nossas vidas: as nossas apresentações. A maior e mais marcante de todas foi a que realizamos em Fortaleza, pois algo muito especial naquela noite aconteceu e que nos marcou para sempre. Tocamos até a chuva queimar o equipamento em resposta ao público que acuado pelas gotas de chuva torrencial a enfrentou para nos mostrar e retribuir a energia que despertamos. Foi inesquecível aquele momento e é algo que levarei para o meu túmulo com muito respeito e orgulho.

03- Um fato que me impressiona é que durante todo esse tempo a formação do Poeticus sempre se manteve estável, nunca houve uma mudança sequer! Isso é raríssimo e digno de elogios! Prova que a união de vocês está muito além do mero fato de possuir uma banda e executar cada um seu papel na mesma. Comentem a respeito.

S.U.: Eu não creio em destino. O verbo crer é dar veracidade a algo que você não sabe qual é o seu motivo ou significado. A vontade é algo sublime e a faz mover o universo, conspirando e devolvendo os seus anseios. Nossos anseios nos uniram. Nossos desejos nos aproximaram e ao jogarmos eles para o astral, o mesmo fez com que nossos caminhos convergissem. E claro, tivemos a capacidade de construir com solidez algo muito maior do que um bando, ou seja, uma banda. Essa união superou o campo da música e se tornou em uma irmandade que transbordou para a nossa vida, nosso trabalho e relacionamentos. Era o que buscávamos individualmente. Foi o que encontramos e cultivamos. Isso sempre foi observado, abertamente, por todos no Poeticus. E isso cria um clima de seriedade, de trabalho, de objetividade e de respeito mútuo. Não podemos brigar se temos objetivos e convicções muito parecidas. É como brigar consigo mesmo. É simplesmente irracional. Por isso essa estabilidade tão rara que você pôde observar.

04- A demo-tape “Discórdia é a Lei dos Fracos – Injurius Veride” ainda é o único trabalho oficial completo e exclusivo do Poeticus Severus. Esse material foi totalmente gravado e produzido por você César onde tu executou todo o instrumental e de fato conseguiu realizar uma obra memorável! Passado este decanato de história como você vê “Discórdia...” hoje?

C.S.: SUB UMBRA, POR GENTILEZA TAMBÉM RESPONDA ESSA. TUDO É UM, UM É TUDO!

S.U.: Estou certo que todos compartilhamos a mesma opinião sobre esse trabalho inicial do Poeticus Severus. Foi e ficará para sempre gravado na nossa história como o alicerce de nossa temática e estrutura musical. Estamos certos de que seu papel foi fundamental para adquirirmos um certo status de banda Cult, segundo a opinião de outras pessoas e amigos próximos a nós. Serviu para abrir nossos caminhos e servirá para ainda inspirar muitos pela sua rusticidade e beleza singela. E o mais interessante: não se prende a nenhum estilo de época, até os dias de hoje.

05- Falando por mim, como ouvinte de sua música, diria que o som do Poeticus Severus induz a uma espécie de nostalgia, sensações difíceis de definir, traz à tona sentimentos completamente fora dos domínios do cotidiano vulgar. Possui a capacidade de falar aquilo que está mais arraigado no fundo do inconsciente ou da alma como preferirem. Atavismos, reminiscências, intimismo, transcendência; um aroma de antiguidade preenche a atmosfera. Fale-nos de suas influencias, mas não apenas em uma esfera musical, mas daquilo que vai além disso...

S.U.: “Se revelo meu segredo...esvai-se o meu feitiço”. Brincadeiras à parte, vamos tentar entender nossa estrutura. Mas gostaria de deixar bem claro que a beleza do que compomos é justamente dar a liberdade para que qualquer pessoa encontre, por identificação própria, tão belos sentimentos despertos por você supracitados, na alma, no inconsciente ou subconsciente, como preferirem.
A nossa interpretação ao compor era justamente usar uma estrutura lúdica, baseada no passado. Idealizado passado. A vulgaridade que você citou muito bem tem os pés firmados no nosso presente evidente. Invocar o passado é justamente transcender o presente. Nele, o campo para identificação depende de quais valores você traz consigo. Como o presente é o plano pelo qual vivemos, invocamos o passado para que tragam para lá valores seletos e distintos. Assim, mesclamos nas músicas elementos mágico-filosóficos. Esotéricos. No mínimo diferentes do que vivemos a cada dia.
Nunca passou pela nossa cabeça criar o Poeticus Severus desvinculado da arte. A arte é o que alimenta nossa alma. Então colocamos elementos poéticos e musicalmente eruditos, mas sem pedantismo. Acessíveis. Simples e acessíveis de serem sentidos. Mas com grande profundidade significativa. Somamos elementos esotéricos à notas musicais para ajudar a melhorar a experiência de audição. E forjamos nossa música com o reflexo dos criadores, democraticamente, para serem aparadas as arestas no processo de composição. Ao tocarmos, para dar personalidade a essa entidade, tocamos para nós e para si próprio. Como resultado forjamos várias músicas que tocam na verdade uma parcela de nós mesmos.

06- Justamente este elo com o passado, com vivências remotas que é caracterizado por uma variedade de elementos dentro da arte do Poeticus: a atitude, uma postura no agir, na maneira de compor e tocar, no uso de linguagens mortas e magikas nas letras, a atmosfera musical como um todo etc; esse conjunto de características me levam a uma compreensão do que venha a ser o “Opereto Barbaricus Metal”. A totalidade do trabalho do Poeticus Severus sendo uma expressão radical deste conceito. Você concorda com esta minha apreensão do seu trabalho? Comente a respeito.

S.U.: Para começar vamos abordar o rótulo. O rótulo que criamos, o OBM, veio de uma objetividade para que nós pudéssemos ser diferenciados e nos destacarmos nossa proposta dentro da na cena. Na grande verdade tocamos Heavy Metal. Desde o invento desse termo pelo Stephen Wolf : “ (...) heavy metal thunder(...)” – o barulho da moto acelerando, esse estilo musical se tornou por demais abrangente no uso desse termo. E é notado com facilidade uma certa dificuldade a cada artista em definir sua arte, pois a mesma é criada com muita abstração e pessoalidade, introspecção. Definir que tipo de som dentro da nossa proposta seria como colocarmos um filho em um lugar que não respeitasse sua pessoalidade e eliminasse nosso afeto por ele. Daí tivemos muita relutância em definir um rótulo para o nosso som, que é necessário para que as pessoas entendam e consigam nos separar entre várias opções. Para sintetizar toda a nossa proposta de trabalho em um rótulo, definimos que o mesmo deveria conter o que mais salta aos olhos de um ouvinte desavisado, ou o que queríamos que saltasse. Esse rótulo foi de certa forma baseado inicialmente na idéia de uma banda sueca, que em 83 usou um rótulo para definir o nome do seu álbum: Epicus Doomicus Metallicus – Candlemass. Não temos influencia nenhuma deles em nosso estilo e temática, ao contrário, somos opostos ao que eles pregam, mas a idéia de usar esse rótulo veio pois a identificação com o mesmo se deu por que tínhamos já prontas músicas em latim. E nossas letras, como disse antes, invocam esse clima bárbaro e nossas vozes são na maior parte limpas.
Estudamos canto para posicionar nossas vozes na musica com naturalidade. Outras línguas foram usadas em nosso contexto, escolhendo palavras certas, com entonação correta, vibrando como mantras em determinadas músicas. Enfim nobre Ítalo, o que não desprezamos nunca é a capacidade de abstração de quem quer que possa ouvir a nossa musica. O principal é o que pude testemunhar pelas palavras da minha sobrinha de 4 anos: “tio, essa musica é pra dar susto? To com medo”. Missão cumprida!

07- “Engolfo-te!...Ó minha bela e Resplandeço em meu Horizonte” talvez seja o álbum mais aguardado por muitas pessoas no underground. Especialmente os que tem acompanhado a trajetória da banda por todos esses anos. A que se tem devido a demora nesse lançamento? Como andam as gravações e o processo de concepção desse trabalho?

S.U.: O álbum está 60% pronto. Temos tudo pronto na verdade a muitos anos. Temos muitas musicas prontas. Vou te contar qual o motivo da demora. Simplesmente por que durante esses anos todos nos superamos e dominamos completamente todo o processo, toda a cadeia conceptiva. Tudo. Desde o óbvio, a composição, até a distribuição, passando pela parte técnica, como a engenharia sonora, produção, mixagem, arte gráfica. Simplesmente nos vimos obrigados a aprender por conta própria e a dividir as tarefas de todo o processo produtivo. Só não fazemos o booking para turnê, pois isso consome muito tempo e investimento em contatos e política. Fora isso somos auto-sustentáveis. Quebramos a dependência de selos. Isso não é na verdade uma resposta revanchista às péssimas propostas que recebemos, e foram muitas, durante esses anos. Isso começou com uma obsessão por qualidade total, por controle total da obra em todas as etapas produtivas. O mercado forçou a fazer isso. E essa é uma realidade que já prevíamos e que agora fica mais clara para mais e mais pessoas.
O trabalho do musico independente tem que passar por essas etapas, por essa visão do mercado. O MP3 derrubou a venda dos CDs, o Metal está em crise, não se renova. O mercado não teve tempo para se adaptar a essas mudanças. E não adianta ficar reclamando da cena ou do MP3, pois o formato já mudou e é uma realidade. O que podemos fazer quanto a isso no máximo é nos centrar mais ainda em qualidade.
E isso mudou nossos planos. E junto com nossos planos nossas vidas tiveram prioridades que como homens livres, tivemos que colocar à frente e respeitar novos desafios, como constituir família, cuidar da casa, dos nossos patrimônios, nossa vida. Isso fica em primeiro plano. A banda é nossa catarse. Nossa pelada de final de semana. Sem futebol, tem gente que enlouquece. Nós estamos mudando nossos planos para que possamos ter nossa válvula de escape, mas de forma que a mesma seja auto-sustentável. E nossos recursos foram focados primeiro em nossas vidas.
Eu penso às vezes em abrir o capital do Poeticus, mas antes de mais nada todos não podemos abrir mão de nossas vidas. Eu posso te adiantar que cada detalhe nesse CD foi cuidadosamente gravado, mexido. A sonoridade não tem nada a ver com essa porcaria de mixagem atual. Nada. A sonoridade é menos comprimida. Tem mais dinâmica. A timbragem é inspirada nos anos 70 e 80. Nada de som mecânico, sintético, plástico! Tudo feito com cuidado e esmero. Muita dedicação. Um bom som de guitarra. O baixo é uma segunda guitarra. A bateria é ampla, o som se propaga ao infinito. As linhas de teclado são especiais. Nada convencional. Nada parecido com alguma coisa. E acima de tudo: será fácil de ouvir. E essa simplicidade que buscamos cada vez mais. Sem dúvida afirmamos que não será decepcionante para quem pacientemente aguardou nosso trabalho. Isso sela um compromisso.

08- O que podemos esperar de “Engolfo-te!...” musicalmente falando? Pude notar que a musicalidade do Poeticus tenha de certa forma se definido nas faixas “Empíreo” e “Abismus de Caellum” na coletânea Southern Warriors Cult. O uso do teclado com uma carga dramática que acentua o tom épico e a magnitude das composições. Os duetos de vocais, os coros, as variações de ritmo e quebras de andamento. Porém são apenas duas músicas, apenas o vislumbre do que está por vir...

S.U.:Tecnicamente estamos trabalhando em uma sonoridade diferente para cada música. Estamos explorando a veia musical que definimos na nossa primeira gravação, mas com mais qualidade e corpo. Com mais cuidado e mais clareza. A estrutura, o esqueleto musical, assim dizendo, é o mesmo. Sempre. Mas temos músicas mais diferentes que aquelas da compilação. Temos musicas mais diretas, mais sublimes, mais complexas de serem executadas, mas necessariamente simples e diretas. Basicamente o que sempre permanece é o andamento médio. Cavalgado. Abismus di Caelum é uma musica muito quebrada. Temos músicas mais diretas. Assim como temos musicas mais sombrias e atmosféricas. Esse é o elemento chave que não abrimos mão: uma atmosfera. Temos musicas com jogo de vozes, com rasgados pontuais, mas predominantemente duetos e solos. Musicas com letras breves, quase instrumentais. Já está tudo gravado: bateria, guitarra e voz principal. Faltam gravar teclado e poucas linhas de baixo. Estamos satisfeitos com o resultado.

09- É cada vez maior o número de bandas que tem optado por lançamentos independentes (em vários formatos) os quais tem se mostrado de excelente qualidade e profissionalismo. Nos dias de hoje com a mercantilização do Metal torna-se cada vez mais escassa a quantidade de gravadoras que não estejam dispostas a uma exposição exagerada na mídia e a dar 100% de liberdade para uma banda desenvolver seu trabalho. Como você analisa esse fato e como ele se encaixa na realidade do Poeticus Severus?

S.U.: Como havia introduzido anteriormente, a realidade do mercado mundial de música mudou muito. Vou ser muito sincero: não tenho mais acompanhado o mercado do metal. É de certa forma uma insatisfação com os rumos das coisas e também uma nostalgia do que era a cena. Muita coisa hoje perdeu sentido, e posso até responder por todos no Poeticus. É devido à mudança de cabeça, amadurecimento. Não tenho mais paciência em escutar qualquer coisa. Nos tornamos mais seletivos. Existem os que acompanham esse sentimento e têm a capacidade de externá-los em seus trabalhos. Esses merecem respeito.
Mas falar de mercado é complicado pelo fato de que os custos de produção a cada dia que passam caem, mais e mais. Assim, é mais vantagem licenciar uma banda que tem vendagem certa do que investir em uma banda local para trocar material dentro do Brasil. A base do mercado é troca. E se você tem um investimento, um material retido você tem que colocar ele para frente, senão o prejuízo é muito grande e o tempo para recuperar esse investimento estica, mais e mais.
Eu vou repetir que esse fenômeno obriga mudança de postura por parte de quem tem uma banda e vai obrigar a todos que anseiam montar uma a serem mais profissionais, mais sérios. E isso de certa forma é ruim no aspecto exclusivo da espontaneidade. Eu sei exatamente por que acabo preferindo os primeiros álbuns de certas bandas, preferindo até as demo-tapes: por que você pode até abstrair a incapacidade técnica e musical, mas você sente mais forte a proposta. Quem começa hoje com uma banda e espera durar na cena sabe disso. Ou deveria. Inclusive montar uma banda hoje é muito diferente do que nos anos 80 e 90. Assim, se um monte de porcaria, um monte de lixo feito por um bando de moleques chatos que ficam querendo se auto-afirmar, coisas de adolescentes pentelhos e imaturos, aparecem gradativamente, teremos mais e mais bandas ditas profissionais, mas que na verdade não passam de um defunto ambulante, sem alma ou criatividade e sem um pingo de personalidade. É como você conhecer uma pessoa globalizada. Você sai de casa, vai em um bar, enfim, em qualquer lugar e os padrões de personalidade acabam se repetindo. As crianças no mundo inteiro são parecidas, falam da mesma coisa, brincam das mesmas coisas. Algumas pessoas são apáticas e sentem a necessidade de se sentir inseridas em um contexto. Serem normais. Com a facilidade de produzir música podemos estabelecer essa analogia entre bandas e pessoas: globalizadas e desinteressantes. Poucos são os garotos de hoje que tem a capacidade de supluantar essa realidade. Para esses eu tiro o chapéu e brindo. O meu ponto de comparação específico é um trabalho produzido em escala industrial. Essa é a minha graduação na escala métrica de produção musical. Sobre especificamente o aspecto da liberdade, isso para mim já é uma questão de equalizar respeito próprio a um capital de investimento. Se não tem grana para se gravar 10 períodos, nem menos para fazer um digipack ou coisa parecida, temos que nos contentar com o que podemos fazer de melhor dentro de nossas convicções e propostas. Se alguém não concorda – diálogo. Se não houver diálogo, porra! Manda tomar no cu e se vira pra fazer tudo exatamente como quiser. Cada vez mais isso é possível e mais fácil hoje em dia. Daí a quantidade de bandas independentes aumentarem a cada dia.

10 - Com a popularização e massificação do Black Metal e do Metal de um modo geral, o cenário cresceu bastante e com muito dinamismo. Uma enxurrada de bandas e novos indivíduos surgem a dia após dia. Os tempos em que se falava (ou se podia falar) em união já se passaram e ficaram em um passado talvez nem tão distante. Nos dias de hoje um senso de seletividade consequentemente gera divisões no meio. Divisões estas até certo ponto por questões mais que necessárias, a meu ver, fruto de um radicalismo consciente e ainda bem praticado, que de certa forma mantém a essência ainda viva em alguns. Algo que ilustra muito bem isso são alguns eventos fechados e para um público seleto, unidos por questões de afinidades tanto ideológicas quanto pessoais (de amizade). Nós mesmos possuímos amigos em comum que tem ocasionalmente realizado eventos dessa natureza em MG. Como você analisa esse quadro geral e estes rumos tomados por alguns setores do underground?

S.U.: Divido essa análise com todos agora: digite Gorgoroth no Youtube. A quantidade de garotos fazendo besteira... Não sou melhor do que ninguém, longe disso, nem pretendo. Mas acho que a adolescência é ridícula! Sou capaz de entender a atitude de certas pessoas mais velhas ignorando um adolescente intrometido em uma conversa com atitudes do tipo: ignorar uma opinião, desviar os olhos para outro interlocutor, mudar de assunto. Quando eu era moleque, certas coisas eu me poupava de fazer.
Agora eu entendo por que o Cronos (Venom) sempre se referia a "...kids like it" em suas entrevistas se referindo ao seu público e acho que fica evidente como um talento pode impulsionar uma banda.
Eu imagino qual seja o futuro, o Metal por si próprio está ficando fora de moda. Para os que levam isso à sério, e fazem do Metal um estilo de vida há algumas projeções para o futuro. Antes, de fato, o metal em geral está enfraquecendo, pois se não fosse essa característica que esse estilo musical possui, de possuir uma certa "fidelidade" inerente a um sub-estilo ou banda, o público seria mais minguado ainda. Quais são os principais preceitos do Metal: rebeldia, liberdade e transgressão em seus mais diversos sabores? Para radicalizar, vamos imaginar o que será de nós e do metal daqui a 300 anos. Que estilo musical permaneceu no imaginário humano após 300 anos?
Eu dou um exemplo: a musica clássica, particularmente a orquestra de câmara na Itália. Pense em um ícone da música clássica: Mozart. Agora pense em um ícone do Metal capaz de passar a barreira dos 300 anos. Quorton? Releve o gosto pessoal e pense friamente...
Eu acredito que o Metal seja um estilo que dificilmente durará mais de 300 anos como uma referencia de estilo no imaginário das pessoas. Isso é um fato, já que nos anos 80 as pessoas ordinárias se referiam na rua ao Metal como "rock-heavy-metal". Hoje, como as pessoas comuns se referem? Não se referem mais. Virou motivo de paródia.
Não há mais renovação do número de pessoas que entram na cena, como nos anos 80 e 90. Está restrito a guetos e foi turbinado pela internet. Agora, vamos considerar um estudo que concluiu que essa geração é a que mais possui opções de entretenimento e por conseqüência disso, é a geração mais entediada. O que um Gorgoroth tem que fazer pra sobreviver? Botar um palco cheio de cabeças de bicho pra despontar na mídia? Não digo nem que essa possa ter sido a motivação deles, mas de certa forma isso arrebanha mais seguidores para o estilo musical deles. Acontece que as pessoas já estão vacinadas para determinadas atitudes.
Vejamos o perfil do Headbanger. Normalmente são economicamente dependentes e a maioria está se auto-afirmando. Friamente falando, se não há renovação por parte desses garotos anestesiados com o disforme, o que será da cena, que é fundamentalista?
Eu acredito firmemente que os formadores de opinião e um restrito grupo próximo a esses no Metal será recluso a um grupo que agora viverá do saudosismo. Veja esses coroas que andam de moto. Que fazem um motoclube. Acho que o futuro do underground será esse: um grupo restrito de pessoas que têm famílias, obrigações, mas que ainda gostam do Metal por que ele foi importante na sua adolescência pré-juvenil. Na verdade isso já acontece, como pude perceber nos eventos que algumas bandas de Minas e Sao Paulo organizam, alugando um sítio. É como se fosse uma família grande. Isso vai acontecer com uma determinada freqüência e vai diminuir por causa dos caminhos que a vida leva.
Na Alemanha, por exemplo, temos uma geração, digamos de 40 a 50 anos que viu o nascimento desse estilo que criou lugares para sair dentro desses requisitos do Metal. Tem pubs que os caras que curtem Metal se encontram depois do trabalho e bebem e voltam pra casa, isso na zona industrial. O Metal pra eles é um estilo com muito mais popularidade do que aqui, por n razoes. Eu no Brasil só sei de pouquíssimos lugares assim, a maioria concentrado em São Paulo. Acho, enfim, que futuro já está traçado pelas possibilidades que se mostram à minha frente. Acho que o que deve ser levado em consideração é a afinidade e principalmente a amizade de vivermos e passarmos juntos por essa transição e curtirmos o momento que é nosso. Por nossa escolha. As pessoas podem embarcar em modas que a mídia apresenta semanalmente, mas você pode ter o privilégio de escolher um estilo em franco declínio apenas por que você o quis e se sente bem assim. Lógico que não é só por isso, cada um trilha o seu caminho.
Eu tenho gosto eclético e acho que todos aqui passarão por uma etapa em que a bitolação deixará de ocupar um pilar central dentro da formação da nossa personalidade.
Eu por exemplo, comecei a expandir meu horizonte escutando música atmosférica. Na verdade como músico, busco sempre a musicalidade por trás das coisas. Acho que isso expande meu raciocínio e acaba fazendo com que eu saiba exatamente o que quero tocar. Em geral eu curto ópera. Gosto dos baixos(cantores principais) russos. Eles cantam muito grave. É impressionante. Eu digo que escutar musica clássica é como escutar em 3D. Se você se sente dentro do enredo, como um membro do corpo de músicos, cantores ou na platéia, a musica sobe sua espinha e se projeta à sua frente, dependendo do movimento executado e da freqüência dos instrumentos ela é capaz de te auxiliar a desdobramentos e meditações sensacionais. Foi a forma mais bela que já vi para se expressar sentimentos através do som .

11 - Uma palavra que percebo estar cada vez mais comum no meio dito “underground” é profissionalismo. Até ai tudo bem, eu entendo profissionalismo como uma banda que apresenta um trabalho de qualidade, bem caprichado, amadurecido e bem fundamentado, que valoriza aquilo que faz em todos os aspectos. Porém o que tenho visto em boa parte dos casos são bandas que aparentemente levam esta palavra num sentido literal! Querem ter seu material acessível à massa, gostariam de tocar todos os fins-de-semana, não importando com quem nem pra quem. Daí vemos situações como aquela banda ultra-radical de outrora, hoje de braços e abraços com a mídia e$pecializada; tocando em eventos onde participam bandas cristãs, white, etc; a popularização das chamadas “ajudas de cu$to” (cachê no meu vocabulário). Consequência disso: um cenário saturado de bandas medíocres que não acrescentam em nada musicalmente quanto menos ideologicamente; um público cada vez mais desinformado, variado, consumista, superficial, formado por adolescentes em busca de auto-afirmação através de um radicalismo efêmero, perdendo até a noção do ridículo. Como você vê esta questão?

S.U.: Tive um relacionamento fugaz com uma estudante de belas artes. Admiro muito seu posicionamento e faço delas as minhas palavras e conclusões: em belas artes, você praticamente faz faculdade para aprender a vender quadros. Através de abstração e de um discurso nebuloso, uma retórica extremamente subjetiva, você usa o revés da moeda para literalmente sobreviver de arte. E como havia dito antes, a arte é o alimento d’alma. Se as pessoas nos dias de hoje nem param para olhar para si, se a tecnologia evoluiu de forma a tornar as relações humanas mais impessoais e a cada dia que passa o ser, o homem, o indivíduo perde mais e mais o seu valor unitário, é perfeitamente compreensível que a arte hoje em dia é para poucos que se dão tudo para si mesmo. Quem tem competência que se estabeleça. Atrás de um dualismo e de uma polarização simplista, pessoas mascaram seus limites e sua incapacidade de ousar. E por se acharem astutos, podem ensejar e aspirar um preço que dignifica a sua arte. Tem muitas pessoas que fazem isso, aliás, o mundo coroa a astúcia. São mentecaptos e / ou alpinistas sociais. É uma forma de fazer parte de um corporativismo velado, em miúdos, fazer parte da panela, do grupinho, se destacar...se contentam com tão pouco. Sejam felizes e efêmeros. Seu rastro é o seu mastro?
Tenho pensamentos distintos à cerca de cobrança de cachê. No mundo cada homem tem seu preço. As relações comerciais demandam o óleo que lubrifica as engrenagens. Sou à favor de ajuda de custo como uma forma de nos prevenirmos de aventureiros. Há um custo para se manter uma rotina de ensaios. Cobrar um cachê previne, por experiência própria, que os mesmos garotos desinformados, variados, consumistas, superficiais, adolescentes e efêmeros resolvam me propor uma data, mobilizar a vida dos 4 para chegar em um local e ser recebido em péssimas condições, tocando em um espetáculo de fiasco e decepção. Poucas foram e poucas ainda serão as datas pelas quais o Poeticus Severus se apresentará. Selecionamos os companheiros e amigos de palco. Impomos certas condições para que sejamos capazes de apreciar uma apresentação elaborada.

12 - Diz George Orwell em seu romance “1984”: “A história sempre foi escrita pelos vitoriosos, e quem controla os textos dos livros controla o passado e influencia o presente, preparando o futuro à sua vontade”. O romanismo sempre foi o provedor das “verdades” aceitas no ocidente. Há tempos o Vaticano e o sionismo tem andado de mãos dadas, juntos formando o maior poder político e financeiro do chamado Mundo Capitalista ou Neo-Liberal. Como você encara os trabalhos de cunho Revisionista? Salvo logicamente os autores tendenciosos e suas interpretações viciadas. Refiro-me em especial aqueles que têm laborado com ardor contra as mentiras ecoadas há séculos por charlatães, entre estes aquele que disse: “Quantum nobis prodeste haec fabulae Cristii”.

S.U.: A única vantagem da era do silício, a era do Pentium, a era do transistor é que agora não se escreve mais a história, se assiste. Veja o exemplo da execução de Saddan Hussein? A mentira que estava preparada, que ele foi enforcado com respeito, etc... quanta bobagem. Foi ofendido, humilhado e enforcado como qualquer criminoso odiado seria. E não houve tempo para desfazer o que já havia sido registrado.
A igreja católica encontra nesse nosso país vira-latas lotes de pessoas famintas e desesperadas, carentes por referencias e valores. Povo carente. Uma síndrome de vira-lata, um ufanismo tacanho e deformado, um povo ignorante e iludido, crédulo. Nos faz ser o maior país católico do mundo. O catolicismo já foi superado no mundo antigo e na primeira democracia do planeta: EUA. O papa simplesmente não se mete no estado laico nos EUA por que as pessoas de lá acham isso inconcebível. Seria como se o Lula se metesse nos esportes falasse para o Bernardinho (voley): “olha, coloca Giba no time senão eu coloco a polícia federal para fazer uma devassa na sua vida. Eu suspendo seu passaporte e te mando sair do país!”
Papa...O mais curioso é que o mundo ocidental tem uma breve história de dominação étnica européia. O que são 2000 anos contra os mais de 3000 anos de longevidade do Império Chinês? Antes o ocidente era dominado pelo oriente, pelo povo guerreiro. Com a expansão marítima da Inglaterra, o povo ladrão, tivemos implantado esse modelo econômico de bases insustentáveis: capitalismo e liberalismo. E o que falar da farsa do comunismo? O que faltava no comunismo da China era justamente o capitalismo. Agora está perfeita a grande merda que a humanidade vai se tornar. Espero que a natureza se vingue do homem e de sua procriação virótica.
A Igreja, como instituição, se baseia nesse famoso livro amaldiçoado que todos sabem de qual eu falo, para criar e expandir sua mentira pelo mundo. Sua estrutura desmorona, derrete lentamente e o papa é obrigado a endurecer sua palavra para segurar os que restam e arrebanhar os que estão sem referências. Homem sábio. Tão sábio que Marcelo Motta destacou exatamente com essa frase qual a estrutura teológica pela qual a instituição católica se baseia para praticar essa sabedoria: uma fábula.
Sionismo internacional. É um dos grupos religiosos mais poderosos do mundo. É o mais rico, sem sombra de dúvidas. E é o mais hermético. É um povo amaldiçoado. Sua contribuição para os nossos conceitos de moral judaico-cristã nos contamina profundamente, até em limiares da genética. É muito difícil no mundo ocidental se libertar completamente de dogmas judaico-cristãos. Seus dogmas se confundem com nossos instintos, nossa capacidade de sermos animais diferentes, por sermos capazes de ter compaixão e conflituosamente termos a capacidade de abstração. Nenhum animal além de nós mesmos tem essas capacidades. Os dogmas judaico-cristãos se emprestam dessas capacidades para acimentar na humanidade um complexo de imperfeição e inferioridade, complacência e obediência, docilidade e servidão. Dualismos...simplismos.
Judeus. É um povo que sofreu ao longo da história três grandes limpezas étnicas. É um povo muito poderoso. Pelos seus atos eles influenciam diretamente nosso cotidiano. Não quero entrar muito no lado dito conspiratório do sionismo internacional, pois ele nos EUA é muito mais evidente, mas acho muito curioso focar as suas crias em nosso território, vistos encarnados em pentecostais, que copiam seu modus operandi, mas não tem sua capacidade financeira. Acabam financiando sua instituição por meio de fanatismo religioso e fisiologismo político, já que o dinheiro arrecadado não é o suficiente, eles avançam para piranhar o dinheiro do Estado.
O revisionismo histórico é fundamental para nossa identidade como povo. Um povo sem história não tem identidade e não tem capacidade te sentir orgulho ou vergonha de si próprio. Muitas das vezes quando se fala sobre revisionismo histórico para muitos pode ser estampado em seus olhos o revisionismo do holocausto, patrocinado por Castan e pessoas do Sul. Isso é uma fagulha, é só um pedacinho do que é na verdade o revisionismo histórico. É até tendencioso e parcial.
Cito um exemplo mais recente, sobre o ocorrido com Tiradentes. Todos deveriam saber dessa palhaçada de aproximar a imagem de Tiradentes a Jesus Cristo. Toda a história de colonização predatória do Brasil deveria ser analisada criticamente e ensinada nas escolas, para que os jovens tivessem senso crítico e vergonha de nossa história, para assim tomarem nas rédias o rumo que uma nação como a nossa deveria tomar.

13- Respeito sua opinião Alan, mas discordo de você nessa questão do cachê. Até posso entender essa prevenção que segundo você o cachê pode proporcionar, mas penso que existem outras formas de ser seletivo: observando, analisado, procurando conhecer bem as pessoas que vem até nós seja com qual proposta for. Acho que justamente essa relação de negociata, mercadológica, algo mundano é que nós deveríamos transcender. Não é uma fuga da realidade, a meu ver é uma superação, um ir além. Ter um posicionamento underground, a chamada ideologia, no meu entender é possuir uma postura diante do mundo, que não precisa ser estereotipada, mas que possui características comuns. Digo isso também com conhecimento de causa. Nós fizemos alguns eventos aqui em Fortaleza com bandas do Sudeste, em apresentações únicas, dividindo passagens, e dando uma excelente estrutura, com som de muito boa qualidade etc; hospedagem (por semanas em alguns casos). Cito também a atitude de uns camaradas em Aracaju que estão levando bandas de SP pagando ida e volta pra um show fechado!
Ou seja, com um público de antemão limitado! Falando por mim, o que priorizamos nesses casos é a troca de idéias, de valores, a amizade que é construída, que em muitos casos vai muito além do mero coleguismo. O show em si acaba tomando um sentido muito mais simbólico e ritualístico. Essas são atitudes isoladas, não comuns eu diria, mas que mostram que ainda existem pessoas que mantêm o chamado “espírito underground” vivo.

S.U.: Sabe, durante todos esses anos posso garantir que todas as apresentações que fizemos foram justamente motivadas pela ideologia. À partir do momento em que se fecha um ciclo de sustentabilidade em seu trabalho, há justamente essa capacidade de transcender o lado financeiro com facilidade. É um caminho árduo, pelo qual as bandas sem capacidade, sintonia e ideologia queimam etapas e impõem essa condição sine qua non, sufocando a cena que é incompatível com essas demandas mais ambiciosas.
Acabam deturpando o significado de profissionalismo. Entendo que é muito difícil para quem começa hoje uma banda entender como a cena funciona. São conceitos materiais muito conflitantes, pois são muito pungentes. Não é qualquer grupo que possui estrutura psicológica, anseios por conseqüência de reflexão e busca por identificação filosófica e ideológica na cena. São momentos e casos específicos que devem ser analisados sem que exista colisão de vontades dentro da banda, em nosso caso uma irmandade. É uma decisão mais interna, ao meu ver, que não pode ser ignorada. O ponto chave é justamente esse. Entendo seu posicionamento agora perfeitamente. É disso que falávamos anos e anos atrás sobre o que significa esse famoso e deturpado jargão da cena: ser “Real”. Não é colecionar discos e decorar nomes de bandas complicados e inexpressivos para mostrar status ilusório. Nem muito menos ser sectarista, extremista, idiotista, bitolista, alienista, imbecilista, babaquista, molequista, apenas para se sentir diferente ou superior a alguém. É justamente entender que na cena existem pessoas que comungam de uma sintonia ideológia muito forte. E isso as une e as fortalece. Isso justifica um radicalismo consciente, para ser mais didático para quem nos lê.
Após esse estágio se for essa a vontade, a ambição em expandir seus horizontes, certamente a banda será colocada no caminho do cachê. Cito um exemplo: o Krisium. Apesar de detestar o som deles, sei que dificilmente alguém reclamaria da posição de cobrança de cachê por parte deles. Já dividi palco com eles e sei que eles possuem essa sintonia, essa imagem de respeito dentro da cena construída e idêntica a bandas como Maosoleum, Unholy Flames, Defacer, Sarcasmo e muitas outras que paro por hora para não ser mais injusto. Essa sensação de estar à vontade entre esses pares é justamente a sintonia que me refiro e pela qual me posiciono sem o menor complexo de inferioridade diante de ninguém na cena e fora dela. São pessoas com ideologias iguais, mas com momentos e planos diferentes.

14 - Concordo contigo, sobre este desfalecimento do catolicismo. Temos como bom exemplo essa tão alardeada visita desse Papa retrógrado (ex-presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, a antiga Inquisição) ao Brasil para “arrebanhar” os fiéis perdidos para as mil variações de cristianismo protestante (esse aborto da Igreja de Roma). Com suas soluções realistas para a questão do aborto, como não fazer sexo seja dentro ou fora do casamento. Pelo menos ele conseguiu manter a cidade de SP limpa e bem policiada por 48 horas... Ainda sobre a questão do cristianismo cito a divulgação das traduções e comentários concernentes aos chamados “Manuscritos do Mar Morto” e da Biblioteca de Nag-Hamadi. Essas traduções trouxeram ao público inúmeros fatos que põe em xeque a suposta base histórica dessas escrituras que você mencionou, as quais era um crime – geralmente punido com a fogueira (vide Giordano Bruno) – duvidar-se mesmo de uma letra. Mesmo os originais desses manuscritos (mais uma grande estupidez humana) estando de posse da cúria romana, não acredito que nos dias de hoje eles possam se valer das adulterações e deformações de que se valeram no passado para manipular a história e manter vivo o egrégora por eles criado.
Nobres amigos, para mim foi uma honra e um prazer elaborar esta entrevista! A todo o Poeticus Severus um brinde e uma saudação! Deixai verter vosso sangue no Cálice de Nossa Senhora Babalon, a Mulher Escarlate, a Noiva do Caos, que cavalga ébria sobre a Besta, o Logos do Aeon To Mega Therion!

C.S.: ÍTALO, 93,93/93

S.U.: O mais curioso paralelo sobre a teologia em si é justamente o caminho que agora parece unir a ciência à religião (religare) através da física quântica, fazendo com que a ciência convirja em todos os campos do saber. Curioso como um conhecimento desvelado a mais de 3, 4 mil anos atrás agora toma forma e retorna aos trilhos para abrigar mais um novo aeon. É cíclico, como o universo o é. Esses parasitas serão arrebatados da face da terra. Esses parasitas que mantém com todas as forças e técnicas, artifícios e articulações esse fantasma oportunista do passado serão obrigados a enxergar que todo ser humano é uma estrela e seu próprio Deus, que conspira e é sensível a todas as energias e formas manifestadas em todos os planos do universo. Assim sendo, serão capazes de respeitar o corpo da Grande Deusa em todo o seu esplendor. Somos nós, seres conscientes que devemos formatar nosso caminho para justamente cessar com a vingança implacável da nossa Grande Mãe. Essa praga chamada humanidade será um dia capaz de aceitar que tudo à sua volta é uma dança cósmica sublime, ritmada por todo o espectro inimaginável de vibrações. Será capaz de compreender que tudo que vemos são meramente um fruto de uma ilusão que nos faz existir em loops incessantes dentro de nós mesmos como um todo. Todos como um todo.
Sinto-me com o dever cumprido representando essa chama que arde cintilante em nossos 5 corações, incluindo o seu. Ítalo, para que nossas palavras encontrem mais identificação e clareza dentro das mentes dos pares que nos compartilham esse precioso tempo que urge a cada nanosegundo, dentro dos cristais de nossos computadores. Para fechar e clamar reciprocidade por ter respondido a tão sábias e elaboradas questões declamo Fernado Pessoa em seus infinitos heterônimos :

ANÁLISE
Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.

Amor é a lei, amor sob vontade. Al i 57

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