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Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei. Al i 40

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Faze o que tu queres há de ser tudo da lei.

Não imaginas a honra que sinto em entrevistar você, poucas foram as manifestações artísticas, talvez nenhuma, me inspiraram tão grandiosamente como o Opereto Barbaricus Metal produzido por você e o Poeticus Severus.

I - Não conheço arte musicada tão original e singular, sendo rotular algo realmente complicado, fale-me um pouco sobre o que realmente vocês quiseram passar com a nomenclatura Opereto Barbaricus Metal, já que muitos podem e devem interpretar de forma diferente.

Cesar Severus - Saudações aos leitores. Saudações 93 a ti prezado frater, sobre a honra, também é nossa em estar participando de mais este registro.

Sub Umbra - Saudações Cordiais a ti e a todos que nossas palavras chegam. A ideia de rotular nossa arte foi uma necessidade que tivemos, pois estávamos na época sendo rotulados de banda de Doom-Metal, Black Metal, e outros rótulos utilizados normalmente. Isso de certa forma nos incomodava na época, pois o nosso som sempre foi diferente e essa sempre foi nossa proposta. Criamos esse rótulo para facilitar a vida de quem usa rótulo para classificar música. É uma necessidade que particularmente não utilizo, mas resolvemos deixar destacado certos elementos que são centrais na síntese da nossa criação.

Cesar Severus - Opereto: ópera menor, não pela dimensão, mas sim pelo modo mais simples (sem firula) de interpretarmos nossa arte, dramatismo/aventura nos vocais. Barbaricus: simbologia utilizada para melhor interpretar o tema que produzimos. Metal: se de fine por si só.

II – Devido a toda egrégora mágicka transmitida por vossa arte musicada, gostaria de saber como se dá a concepção de tais obras? O quão importante é para as mesmas o uso de línguas como o enochiano, latim e hebraico?

Sub Umbra - É Fundamental. As músicas foram construídas não só invocando a egrégora de verbos, mas também nas notas que desempenham em sequencia caminhos cabalísticos. Armorial por exemplo se utiliza desse recurso, assim como Gloria Aeternae. A vibração das notas produz um sentimento diferente, até para os incautos.

III – Talvez nenhum material esteja sendo tão aguardado no cenário underground como o “Engolfo-te! ...Ó Minha Bela, e Resplandeço meu Horizonte". Podemos esperar nele a gravação de “ Uma canção para Babalon”, escrita pelo Sr. Carlos Raposo, entre outros hinos como “Armorial”, que vem sendo executados ao vivo? Como será a linha musical deste trabalho, fazendo um comparativo com a primeira obra?

Sub Umbra - Já temos tudo gravado, mas estamos pensando em regravar tudo de novo. Acho que o resultado vai ser melhor, pois acho que amadurecemos mais, musicalmente falando. O problema do lançamento é que nós não fazemos música com intuito de ganhar nem perder dinheiro. Nós não nos encaixamos em metas e cronogramas em função do mercado. A obra é para nos dar prazer e nos ater nas celebrações é o nosso foco. Por isso não lançamos nada durante esses anos. Por formalidade e registro regravaremos algumas músicas e em breve lançaremos. Podem aguardar.

Cesar Severus - Ainda não está confirmado se teremos "Uma canção para Babalon" no próximo lançamento, Carlos Raposo nos cedeu esta letra a muitos anos atrás, em troca cedemos Chamas do XI para que ele publicasse na sua Safira Estrela n° 9 (número não lançado). Desde então ela só é executada em ensaios e ao vivo, mas pra lançamento é um caso a se pensar.

IV – Falando agora a respeito de outro grande trabalho seu, o Ordo Templi Hiereus: Por que se deu a mudança de nome de Hiereus para Ordo Templi Hiereus? Alguma razão Místicka? Qual o real intento lírico almejado na obra “Aldravae Catullus”?

Cesar Severus - Sobre o motivo da mudança prefiro não comentar, mas revelo que no oculto sempre foi esse nome, somente agora resolvi apresentar. Sim, é Misticka. Aldravae Catullus foi feito pra prestigiar toda a vontade de potência que se aproxima do portal da escuridão, passa pelos ordálios e consegue a vitória.

V - Como está o desenvolvimento da obra “...Após o Portal do Oeste” ? Esta dará continuidade ao cerimonial hierofântico lançado na Demo “Aldravae Catullus”? O quanto as mudanças na formação podem modificar o andamento deste projeto? Quais as bases ideológicas usadas na concepção do “...Após o Portal do Oeste”?

Cesar Severus - Esta obra já está toda composta, estou aguardando a hora favorável para entrar em estúdio e gravar, neste próximo demo haverá participação de alguns frateres em duas ou três músicas. Sim, dará sequencia concentual ao demo já lançado, será a segunda parte da trilogia. Sobre a formação, apenas eu e Gemmifer integramos, por enquanto temos projetos apenas pra gravação, mas quem sabe um dia decidamos mostrar o trabalho ao vivo, se o fizermos é bem provável que seja apenas com guitarra, vocal e bateria, talvez com a participação de algum irmão. A base ideológica de "...Após o Portal do Oeste" também é prestigiar a vontade de potência em sua própria aventura, nesta segunda parte ela está indo rumo ao Portal da Luz, mas no caminho Hegemon intercede, então... fica o suspense para depois. (risos)

VI - Você ou algum membro do Poeticus Severus possui filiação junto a alguma ordem mágicka iniciática? Quais Ordens Mágickas iniciáticas voce julgaria digna de sua filiação? O quanto o ocultismo verdadeiramente praticado é importante para você?

Sub Umbra - É um caminho individual à princípio e na maior parte do tempo. Possuímos filiação e iniciação, porém não acho ético indicar alguma ordem. Até por que dentro de uma ordem, grupo ou seita qualquer, se for fraco, será vampirizado mesmo, independente de indicação ou prestígio. Os escravos sempre servirão!
Assim como, dependendo do seu caminho, o abismo se revela e se for mal conduzido há risco de se desenvolver patologias psíquicas e envenenar seu espírito. Leitura, meditação e respiração são partes de nossa prática oculto-esotérica e filosófica. Com o tempo, a sutiliza refina o subjetivismo da percepção e a tangibilidade dos resultados é amorfa . Assim os insights são melhores digeridos. Essa é a prática permanente da busca incessante e ao mesmo tempo desinteressada do logos e da anima, do self ou do que for mais significativo para si mesmo, esse é o caminho que escolhemos.

VII - Particularmente eu discordo de “hordas” que usam do Metal Negro para difundir correntes políticas, sejam de extrema esquerda ou direita, principalmente as de idealismo relacionados ao nazismo. Qual sua opinião sobre hordas que adotam tal postura? Qual a relação do Poeticus Severus com estes tipos de “Hordas”?

Sub Umbra - A liberdade pura é o branco absoluto. O que contrasta com o branco senão o matiz das cores. Não se deve oprimir ideais. Não temos contato com esse tipo de pensamento. Nem é um assunto que gosto de misturar, tanto que o Poeticus não utiliza temas mundanos. Transcendência, onirismo, o sobrenatural, o oculto e o esotérico, esses são os nossos temas. Atacamos o cristianismo e dogmas. O sonhar, o pensar e o agir são graus isolados. Entre pensar, sonhar e agir há matizes de classificação. A tal postura dessas hordas e de qualquer pessoa entra nessa forma de classificação.
Um movimento anti-cristão tem uma órbita, um limite em que a ação perde força e ao ultrapassar esse limiar a ação passa a DOAR força para o inimigo. As pessoas não se dão conta do que foi o nazismo. Não leram Horbiguer! Quorton(RIP) leu e compôs o Blood on Ice. Mais útil do que praticar sectarismo imbecil.
O mais interessante é que os Nazistas achavam que a terra era oca, com o sol em seu centro e que nós habitávamos a crosta na parte interna da bolha. Pergunte isso a um Nazista convicto e se divirta com a sua resposta.
Nazismo foi bom pois na época a Alemanha era a maior potência mundial, mas isso se deu a mais de 66 anos atrás. Do jeito que as coisas mudam hoje , duvido termos espaço para um orador brilhante como foi Hitler. A Leni Riefenstahl fez um belo trabalho com seus filmes, mas ter que dividir espaço com redes sociais, telefones, TVs, tambores e fofocas, tudo misturado... Não acho que seja um bom ícone para a geração atual buscar identificação. Veja a primavera Árabe e a Europa sem dinheiro, quantas manifestações sangrentas acontecem. Os valores que tanto preconizamos para sua erosão se desmantelam sob o regimento do caos. Os povos terão que se misturar, não tem mais retorno.

VIII - Em quais circunstancias você diria que a filosofia e as práticas Thelêmicas poderiam conduzir o ser humano a torna-se melhor?

Sub Umbra - Em todas. Sempre que possível. Não só o Thelema, mas os pontos de cruzamento em espiral que todas as mitologias e legados oculto-esotéricos possuem superam qualquer coisa criada por homens e espíritos. Jung revelou isso!
A palavra cristalizada também está sob a maldição revelada por Einstein e a sua teoria da relatividade. Isso não enclausura só o espaço-tempo, mas as filosofias. O principal, a morte dos Deuses, o Ragnarok, cada ser humano é uma estrela. Cada ser humano é seu próprio Deus. A vontade comanda a pulsão freudiana. Amor é a lei, amor sob a vontade é a manifestação do homem como seu próprio Deus e mantenedor do seu caminho.
São conceitos edificantes e livres de hipocrisia e moralidades. A liberdade é revelada nos livros da lei, para nós, a apreensão do significado dessa palavra foi revelado por esse caminho. Isso é importante, pois conhecer de liberdade torna o ser humano capaz de entender melhor o que o oprime e dá direção sempre que necessário. Tudo a ver com o metal, o rock, que é seu instrumento de catarse.

IX - “ Deixa a nossa Arte fluir e aceita o nosso convite de encontrar em teu inconsciente a casa para teu raciocínio, esse também é nosso objetivo” Nos falem mais sobre este, e todos os demais objetivos do Poeticus Severus.

Sub Umbra - O inconsciente. Fisiologicamente o cerebelo e a glândula pineal. As coisas partem dali. Ali que faz a fundação para o raciocínio lógico agir. A mente e suas 2 divisões que dá casa aos eternos antagonismos em tudo que colocamos os dedos e conjecturamos.
Nossos estímulos magickos falam para essa porção inconsciente da mente. Vibrações e rituais despertam consciência. Precisamos agradar essa mente primitiva, nosso legado ancestral. Estamos todos programados para responder a esses estímulos e o Poeticus joga com isso. Quem for iniciado, adepto, neófito ou praticante solitário é capaz de perceber onde estamos singrando e convido a todos para entrar nessa Escuna. Nosso oceano é épico, poético, magicko e filosófico. É Arte!

X - Caro Cesar Severus, Como você define o Poeticus Severus?

Cesar Severus - Assim como dizia o finado Friedrich Nietzsche e sua obra imortal "Vontade de Potência, a própria Potência". (risos)

Sub Umbra - Uma irmandade magicko-filosófica que personifica nossos anseios e paixões. É além de irmandade, uma entidade que trova a liberdade, a virtude e a contestação judaico-cristã.

Cesar Severus - UNIÃO, temos a formação original até hoje, passamos por diversas dificuldades mas nunca deixamos nossos feridos para trás, avançamos juntos rumo à vitória, rumo à morte, sempre com honestidade, honra, dando nosso sangue quente, verde e amarelo, e para os guerreiros que encontramos durante o percurso, nossos hinos bradamos com fervor, HAILZ!!!

XI – Infinita é minha gratidão por voce ter aceito participar do Zine Versibus Arcanus, não somente por tudo que o Poeticus Severus representa para o cenário underground, mas principalmente por toda inspiração musickal, mágicka e filosóficka que senti desde a primeira vez que ouvi tua nobre arte musicada. Faça suas considerações finais como bem entender, que vossas palavras sirvam para trazer o iluminar a mente de todos os leitores.
“ Ser Guerreiro é a Nossa Lei! Se não for a alegria do Mundo, a Nossa Será!”
Amor é a Lei, amor sob vontade.

Cesar Severus - Ah, nobre irmão, você é generoso, nossa arte é simples, mas honesta. Fico imensamente feliz com tua consideração conosco, estamos juntos nessa caminhada. Fraterno abraço! Caros leitores, que vocês possam cantar como nós cantamos na execução de nossos Hinos, sintam o poder de suas vontades inflamando seus próprios corações, vamos avançar doa quem doer, guerreiros são verdadeiros!

Sub Umbra - 93,93/93! Agradeço bastante a consideração e a excelente entrevista. São canais assim, como esse, que servem para propagar as ideias. Servem para nutrir o Metal de indagações positivas que o underground exerce na personalidade de novas gerações.
Gostaria de deixar registrado que o Poeticus Severus está na cena atuante desde 1997ev. Nós gostamos do que o underground representa. É diferente de tudo. As amizades criadas são diferentes. Não é algo vulgar, medíocre. Underground é elite e essa elite tem o papel vital hoje de cuidar da sua renovação.
Muito se passou desde então e hoje observo que o tempo refinou os que começaram nos anos 90ev e pensam hoje de forma parecida com relação as mudanças. O tempo fez bem ao underground. Aqueles idiotas radicalóides duram no máximo 1 ano. Depois viram crentes. Vejo a cena hoje e apesar de observar que certas coisas desgradáveis não mudam, acho que a essência permanece marcada na couraça dos que estão no mesmo barco por anos e anos a fio. Vitória ao Metal! Isso não é piegas, isso é importante! Salve o Underground e todas as peças do seu tabuleiro! É um marcante estilo de vida!

Amor é a lei, amor sob vontade. Al i 57

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